julho 31, 2004

Ar livre




Ar livre, que não respiro!
Ou são pela asfixia?
Miséria de cobardia
Que não arromba a janela
Da sala onde a fantasia
Estiola e fica amarela!

Ar livre, digo-vos eu!
Ou estamos nalgum museu
De manequins de cartão?
Abaixo! E ninguém se importe!
Antes o caos que a morte...
De par em par, pois então?!

Ar livre! correntes de ar
Por toda a casa empestada!
(Vendavais na terra inteira,
A própria dor arejada,
- E nós nesta borralheira
De estufa calafetada!)

Ar livre! Que ninguém canta
Com a corda na garganta,
Tolhido da inspiração!
Ar livre, como se tem
Fora do ventre da mãe,
Desligado do cordão!

Ar livre, sem restrições!
Ou há pulmões,
Ou não há!
Fechem as outras riquezas,
Mas tenham fartas as mesas
Do ar que a vida nos dá!

Miguel Torga In Cântico do Homem

julho 30, 2004

Já cheira a férias....

...já me começa a dar a moleza própria das ditas....



 

+



+



=

 
PARAÍSO

 

 

(Equação Perfeita)

 


julho 28, 2004

Secretaria de Estado do Turismo, que futuro?

Antes de mais peço desculpa a quem por aqui passa por ter um post tão longo, mas as últimas alterações deste novo Governo fizeram-me reflectir sobre alguns aspectos, com os quais tenho mais empatia e daí as longas linhas abaixo escritas.


Um dos principais problemas de Portugal ao nível do sector turístico é a falta de homogeneidade no que respeita ao número de turistas por região. Temos três regiões chave para o Turismo: Algarve, Lisboa e Madeira, que abrangem entre 80 e 90% do sector e temos o restante território nacional com taxas de visita baixíssimas.

O interior do país menosprezado face ao litoral, e face às grandes regiões do sector.

Certo é que todas as regiões portuguesas têm características que as tornam únicas, têm recursos naturais e culturais excelentes, que com as devidas infra-estruturas de apoio se poderiam transformar em belíssimos produtos turísticos, não só para os nacionais, mas também para os estrangeiros.

Faltam meios, falta iniciativa e falta sobretudo apoio do Poder Central.

Por isso, não compreendo esta decisão do executivo do Dr. Santana Lopes de sediar a Secretaria de Estado do Turismo no Algarve. Se o objectivo era descentralizar, objectivamente está correcto, mas se analisarmos mais profundamente a questão, chegaremos à conclusão de que esta opção é um erro.

As regiões que deveriam beneficiar mais com esta descentralização deveriam ser exactamente aquelas onde o sector ainda está pouco desenvolvido, para que o senhor Secretário de Estado do Turismo e respectiva equipa se apercebessem das lacunas aí existentes e criassem políticas que as favorecessem.
Aliás, como é do conhecimento público, muitas destas regiões não têm sequer outro tipo de sector económico que as sustente, e o turismo é o escape económico para estas populações. Mas a falta de profissionalismo, a falta de investimentos e muitas vezes, a falta de iniciativa, tornam esta tarefa impossível.

O discurso governamental, já desde os tempos de António Ferro e da sua “política do espírito” que aponta como principal veículo da imagem do país e de desenvolvimento económico do mesmo o Turismo. Embora não possamos concordar com a ideologia de António Ferro e do seu Secretariado de Propaganda Nacional (SPN), mais tarde transformado no Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI), que tinha o turismo como meio de difusão da imagem de um país feliz consigo próprio, como um meio de manipular a identidade popular portuguesa, temos no entanto que concordar que este poderá ser um meio de desenvolvimento económico, sem ideologias baratas, sem utopias.

Não seremos os primeiros, nem seremos por certo os únicos.
As apostas noutros sectores, que à partida não conseguem competir com os dos outros países, não será um erro, mas talvez um desvio daquilo que poderá ser o futuro de Portugal.

Não teremos que cultivar, necessariamente, o turismo barato, para as massas, mas poderemos apostar num turismo cultural, de elites informadas, que trariam divisas para Portugal, e que levariam daqui, sem dúvida, as melhores recordações, misturado com o turismo balnear que nos caracteriza já há tantos anos e que nesta altura importa sobretudo reformular.

O Algarve tem vindo a perder receitas face a Lisboa, que na minha opinião reflecte um desgaste prolongado, um desacerto de planeamento a todos os níveis.
Resta-nos apenas a esperança que a Secretaria de Estado do Turismo sinta isso mesmo, e que pelo menos no Algarve as coisas melhorem em termos de qualidade.

No futuro... bom no futuro, talvez tenhamos que pensar em reformular toda a estrutura das Organizações Nacionais de Turismo, porque até agora ainda nenhum dos governos conseguiu encontrar o modelo ideal.

E este do Dr. Santana Lopes também não será de certeza a solução!

julho 27, 2004

BLOGOPUB

Ontem tinha na caixa de correio electrónica um mail muito especial. Um convite para participar enquanto "colaboracionista" num blog que costumo frequentar e que recomendo.
Um blog sobre Tomar, essa bela localidade, e não só. Já somos alguns os que ali iremos postar. Acho que este partilhar de ideias é uma óptima ideia! As sociedades blogueiras trazem-nos diversidade, originalidade e opiniões diversas, o que torna o conteúdo muito mais interessante e atractivo.
Por isso, por mim e por eles, viva o Thomar e viva Tomar.

Esta é a lista dos colaboracionistas já confirmados:
Sónia (moi même)
Janela do Mundo
Leonel Vicente
Santa Cita
Thomarense
ugoC

ANÚNCIO

Tem as contas bancárias a abarrotar? Já não tem espaço para armazenar títulos e acções?
Não sabe o que há-de fazer ao dinheiro que lhe sobra por todos os lados? Tem as notas sujas, com caruncho, e a precisar de renovação?

Compre um clube de futebol!!

A melhor maneira de lavar o seu dinheiro!

Como este, por exemplo.


julho 21, 2004

A luta continua!

Com todos os últimos conturbados acontecimentos respeitantes ao novo Governo de que agora dispomos, passou despercebida a notícia bombástica respeitante aos novos caminhos de luta enveredados pelos estudantes universitários.

Há uns dias atrás numa televisão perto de si, diziam alguns desses “estudantes”, nomeadamente os líderes dos mesmos, vulgo denominados Presidentes de Associações de Estudantes, que: o objectivo de luta para o próximo ano lectivo seria o fim das propinas!

Mas ainda alguém liga ao que estes jovens dizem? Jovens cuja a ambição principal, todos sabemos, não é tirar um curso universitário, mas sim dar nas vistas e quem sabe encarrilhar numa brilhante carreira política.

Será que, para além desta luta, não existirão outras bem mais mordazes, bem mais objectivas, bem mais dignas.

Nestes últimos anos ouviram algum destes “estudantes” lutar por melhor qualidade no ensino, por melhores condições pedagógicas, por melhores professores, pelo fim de sistemas universitários caducos, viciados, cunhistas, pela criação de sistemas justos de acção social? Não, não ouviram.

Porque, também aqui, nestes micro sistemas políticos, o que interessa é ser populista, e logo dizer aquilo que o povo gosta.

Estarão eles interessados de facto em ter um melhor ensino em Portugal, ou melhor ainda, terão eles conhecimento do tipo ensino de que dispõem em Portugal?

Não há pachorra!




Adeus Formiga

Ainda não foi há muito tempo que eu fiz alguma publicidade à Formiga de Langton pela sua genealidade, inteligência e sobretudo originalidade.
Ontem li o seu último post que dava conhecimento de que a Formiga iria percorrer outros caminhos e hoje, para grande desilusão minha, o blog deixou de existir. Nem os arquivos do seu formigueiro ficaram como testemunho da sua existência.

Ainda há quinze dias atrás podíamos ler o seguinte no diário da Formiga:

"Com muitas paragens e "implosões" esta pequena "formiga" fez sábado um ano"

Quem diria que passadas duas semanas a Formiga nos iria abandonar?
Provavelmente, tal como no sistema que deu nome ao blog, a Formiga chegou à auto-estrada que a levará ao infinito e, simplesmente, seguiu o seu caminho.


Sorte a daqueles que a irão acompanhar!

julho 20, 2004

Finalmente!!


Andei aqui às voltas com o meu browser, mas finalmente consegui vencer a tecnologia, ou seja, consegui compreendê-la.

Já posso mandar "postas" de pescada outra vez.

YESS!



julho 16, 2004

Galeria de Julho - PAUL GAUGUIN (1848-1903)

"Dieu n’appartient pas au savant, au logicien. Il est aux poètes, au Rêve. Il est le symbole de la beauté, la beauté même" (Paul Gauguin)


Paul Gauguin nasceu em Paris, mas viveu os seus primeiros seis anos no Peru. O desejo de conhecer outras terras foi uma constante nele. Na sua juventude percorreu o mundo como piloto de um navio mercante e acabou por assentar, mais tarde, como agente de Câmbio e Bolsa em Paris. Casou-se com uma dinamarquesa e foi pai de cinco filhos.
A sua paixão foi sempre a pintura, da qual se tornou um coleccionista e à qual se foi convertendo cada vez mais.
Discípulo de Camille Pissaro, aos 35 anos, deixa para trás a sua vida de burguês e dá rédea solta ao selvagem que estava escondido no seu interior. O resto da sua vida será um contínuo abandono de família, pátria, amigos e tudo aquilo que não fosse a sua grande obsessão.

Gauguin era um homem de carácter difícil, arrogante e egoísta e tinha uma clara consciência do valor do seu trabalho, a qual o ajudou nos muitos momentos difíceis da sua existência.


Os inícios de Gauguin como pintor datam de 1871 e em 1876, pela primeira vez um dos seus quadros é admitido no Salão Oficial. Nesta época os seus trabalhos respiravam ainda segundo os conceitos impressionistas de Pissaro.



Macieiras de l’Hermitage (1879)

Depois de passar um dos Invernos mais difíceis da sua vida, Gauguin decidiu ir para a Bretanha, onde descobriu, nas paisagens de Pont-Aven e Pouldu as bases de um estilo que depois desenvolveria no Taiti. Durante aqueles anos foi decisiva a sua amizade com o pintor Émile Bernard. Juntos trabalharam um método de desenho baptizado como cloisonnisme, uma pintura de planos sólidos, linhas muito nítidas e massas equilibradas, que mostrava uma forte influência das gravuras japonesas.
Quadros como Vincent Van Gogh Pintando Girassóis (1888), realizado durante a sua tormentosa convivência com o pintor holandês, ou A visão depois do sermão (1888) são obras paradigmáticas desta época.



Van Gogh pintando girassóis (1888)



A visão depois do sermão ou a luta de Jacob com o anjo (1888)



A bela Angela (1889 – Port-Aven)



O Cristo amarelo (1889)


Em 1889, depois de seis anos como artista profissional, está sem dinheiro, vendeu a sua colecção de pinturas impressionistas e quase não vende as suas pinturas.
Farto de tudo decide ir-se embora para o mais longe possível da França, e escolhe o Taiti. com o fim de reunir dinheiro para a viagem organiza um leilão das suas obras, que tem um êxito moderado. De entre os compradores encontrava-se Degas, que comprou A bela Angela. O mais importante deste leilão foram as críticas, que estabeleceram uma ligação entre as ideias de Gauguin e as dos escritores simbolistas, que o consagraram como líder pictórico do movimento.
Excepto um interlúdio em França entre 1893 e 1895, Gauguin passou o resto da sua vida no Taiti e nas ilhas Marquesas.

Embora a sua estadia na ilha de Taiti não fosse de todo bucólica, aqui teve a oportunidade de se converter no colorista que levava dentro de si.
Os seus vermelhos e os seus azuis, os púrpuras e os amarelos, coexistem sem beligerância uns com os outros. Os registos de cor já não são fruto da sua imaginação, mas estão baseados na observação real.



A Orana Maria (1891-1892)



Na praia (1891)



Te faaturuma (a zangada) (1891)



Nafea Faaipoipo (quando te casarás?) (1892)



Otahi (sozinha) (1893)



Te Nave Nave Fenua (Terra deliciosa) (1892)



Vahine no te Miti (a mulher do mar) (1892)

Depois de dezoito meses passados em França, onde as suas pinturas foram muito mal acolhidas, Gauguin decide voltar definitivamente ao Taiti. Aí e mais tarde nas ilhas Marquesas, pintará as suas últimas obras mestras.

Entre elas encontra-se o quadro imenso que ele via como uma reflexão sobre o destino humano e sobre a sua pintura :



De onde é que nós vimos? O que é que nós somos? Para onde é que nós vamos? (1897)



Banhistas (1897)



Te rerioa (o sonho) (1897)


Baseando-se em elementos do folclore da ilha, obcecado pelas coisas que observava, mas tentando ir para além das mesmas, Gauguin cria um estilo complexo que compõe um simbolismo pictórico de nova criação.

Quando Gauguin morreu nas longínquas ilhas Marquesas, poucos se deram conta do alcance da sua obra.

Dos Mares do Sul, Gauguin tinha assentado as bases de um estilo novo, vigoroso e original que iria para além da sua época.


Sites a explorar:

ArtCyclopedia
Webmuseum
Paul Gauguin - wanadoo
CGFA



SURPRESA....

...quando hoje abri o meu editor do Blogger e vi as super alterações que aqui fizeram.


Agora já posso escrever em verde, em amarelo, em azul, multicolor, posso

  1. escrever
  2. por
  3. tópicos
  4. numerados
  • ou
  • com
  • bolinhas

posso centrar o texto

colocá-lo à esquerda

colocá-lo à direira

 

Posso mudar o tipo de letra, posso mudar o tamanho da letra.

e tudo e tudo e tudo, sem ter que recorrer aos códigos html.

 

Pareço uma criança, com um brinquedo novo.

 

julho 15, 2004

O Inferno continua

Ontem em Tomar...













Comentários para quê?
Já estou mais que farta de dizer mal das instituições deste país miserável de terceiro mundo!

julho 13, 2004

Galeria de Julho

Brevemente disponível neste blog, a Galeria de Arte de Julho. Este mês dedicada a um pintor de excepção, PAUL GAUGUIN.

BLOGOPUB

Mais um blog de Tomar.
Este chama-se Algures Aqui, é do Hugo Cristovão e está Algures Aqui em testes.

Bem vindo!

julho 10, 2004

julho 08, 2004

Ele há coisas...

Tanto o PSD como o CDS defendem - e ontem à noite Santana deixou isso vincado - que os mandatos de quatro anos são para cumprir (Hello?? Durão?? Ouviste??)e, se houver eleições antecipadas, Sampaio será o culpado (??) por travar a acção do Governo (Qual Governo??). Mais: dirigentes dos dois partidos admitem que, nesse caso, o Presidente está mesmo a fomentar o populismo, (Pode repetir??) pois, no limite, criará a ideia que nenhum Governo poderá executar um programa de quatro anos. Isto porque a meio do ciclo há sempre descontentes e que, por isso, o governo, para se manter, precisa de ter só medidas populares, o que, em política, pode significar despesismo. (Portanto populismo=despesismo, logo Santana+Portas=despesismox2, certo??)

Também há quem argumente que, se convocar eleições, Sampaio estará a agir contra o Parlamento e os partidos. O regime é semi-presidencialista, lembram, e, nesse sentido, Presidente e Parlamento têm igual dignidade, pelo que convocar eleições só (Só??) porque o primeiro-ministro vai embora é reconhecer que se vota não nos partidos, mas no candidato a chefe do executivo. E, nesse caso, o primeiro-ministro e o Presidente teriam igual legitimidade. Seria mesmo, dizem, o fim do actual sistema. (E não é isso o que todos queremos? O fim deste sistema caduco??)

Dirigentes dos dois partidos da coligação fazem até questão de sublinhar que o único argumento que Sampaio pode ter para convocar eleições é a desconfiança pessoal em relação a Santana Lopes. (O Presidente e mais uns milhões de portugueses)

Excerto de artigo no Público com comentários adicionados (ver artigo completo)

Quem diria ?

Segundo notícia do Diário Digital: "quase metade (41%) do software instalado nos PC portugueses é ilegal".

Finalmente boas notícias!

É que neste estudo estamos abaixo da média dos países da união europeia que é de 43%, e dos países de leste com 71% de instalação de programas ilegais.

Quem diria!

julho 07, 2004

Furto e Cª

Mais um furto desta companhia que não tarda acabará por trás das grades de uma das celas dos direitos de autor.

Este está no Tomarpartido e está o máximo!!

Caso se venha a confirmar a suspeita do Tomarpartido, tirando alguns sonhadores e alguns extravagantes cá da zona, teremos todos de emigrar. É certo!

Furto e Cª


Não resisti, tive que roubar esta ao Gato Fedorento:


DEIXA VER SE PERCEBI: Portugal vai ficar sem primeiro-ministro mas não se deve escolher um novo porque os eleitores votaram num partido e não num homem. O PSD vai ficar sem presidente e deve escolher-se um novo porque os delegados votaram num homem e não numa lista. Ah, o que eu não dava para ser do PSD e poder eleger livremente um líder... Como português, não tenho esse privilégio.



julho 06, 2004

Meu país...


Ao ler os jornais hoje de manhã, não soube muito bem o que pensar. Estes jogos de esconde-esconde, de empurra-empurra enojam-me. Já não tenho paciência para estes políticos viciados, oportunistas. Estou farta do diz que disse, e do diz que não disse.

Hipócritas! Este país está cheio de hipócritas. E a maior aglomeração está na classe política. Não generalizo, sei que existem boas pessoas, pessoas que se dedicam à política por causas, por quererem de facto mudar o país e não o lugar do afilhado, ou do filho do amigo, mas estes estão em minoria, diria mesmo em "nanoria".

Quando se vislumbram lugares vagos é vê-los a aparecerem de todos os eixos, a mexer, a espezinhar, a iludir quem conseguem. A dizer coisas antagónicas às que tinham anteriormente dito, mas de forma a que todos pensem que estão a dizer o mesmo.
Já não há pachorra!

Senhores! Antes do vosso lugarzinho ao Sol, está por ordem de prioridades uma outra coisa que se chama PAÍS, que tem uma população de 10 milhões de habitantes e que depende, directamente, do trabalho, que vossas excelências façam aí na Puta da Cadeira (vulgo PDC).

Como não acredito neles, como já provaram ao longo destes anos, que não servem para os cargos que ocupam, como conseguiram bater todos os recordes estatísticos no que toca a fraqueza, a incompetência, decidi dirigir-me ao meu País, personifiquei-o, pois ele é o único em quem ainda acredito e que não merece ser tratado da forma que tem sido.

O meu país é como um actor que já foi estrela e que agora vive de ler cartas de Tarot. Não posso permitir!


Onde vais meu país?
Não conseguimos acompanhar-te.
Tua narrativa baralhou-se e,
A própria História tem dificuldade,

Em saber para onde vais,
Que caminhos percorrerás.
Se aqueles da liberdade,
Ou os que escolher Satanás.

Estamos todos perdidos
De ti, da tua loucura,
Não conhecemos os caminhos
Para a desesperada cura.

Iludiste-nos com o circo,
Alimentaste-nos com o pão.
Essa prática já foi outrora
O alento de outra nação.

Mas hoje os tempos são outros
E só de pão não vivemos.
Concede-nos também o conduto,
E tudo o mais que merecemos!

Queremos encontrar-te!
Juntarmo-nos à tua caminhada.
Por caminhos afáveis ou tortuosos,
Até à Glória tão almejada!

julho 05, 2004

AUSÊNCIA



Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen


Nenhuma, Sophia!

SOMOS GRANDES!!!

Continuo a achar que o futebol foi o menos importante.
Somos grandes, estivemos unidos, e oxalá que assim continuemos.
Tive pena que os rapazes não erguessem a taça. Mereciam!
Mereciam por todo o trabalho que fizeram, por terem sido superiores a todos os que defrontaram.

Ontem à noite, depois do jogo, saí à rua, para festejar o fim de uma festa linda.

E, tal como eu, centenas de tomarenses fizeram o mesmo.
Não se pulou como em dias de vitória, mas gritámos pela nossa selecção, pela nossa pátria.

Espero que este fervor não esmoreça, assim, de um dia para o outro.
Espero que os nossos políticos nos dêem razões para continuarmos embevecidos pelo nosso país.
Espero que as estatísticas se invertam, e que comecemos a subir.
Espero por um país melhor, porque ele próprio o merece.


E enquanto não tiver razões para isso, não retirarei a bandeira nacional do meu blog. Acho que fica aqui bem.


julho 02, 2004

O menos importante foi o futebol.


Venha o que vier, o menos importante foi o futebol.

Os onze jovens heróis destas terras abandonadas pela Glória já há tantos anos, conseguiram mover montanhas de pudor, de descrença, de abandono patriótico e fazer fervilhar o bom sangue luso.
O mal deste país é a falta de vontade de ser grande, o complexo da pequenez.

Lembro-me de há uns anos quando fiz uma viagem a Nice, na Cote d’Azur, ter tido uma fenomenal discussão com o dono do Hotel onde fiquei instalada, por não nos terem proporcionado as condições que à partida tínhamos comprado. No meio de tal discussão, o francês vira-se para mim e diz-me: vous avez le complexe de la petitesse! Parce que vous êtes portugaise. Atirei-me ao ar! Chamei-lhe chauvinista, e disse-lhe que ele não tinha noção do que era Portugal.

Mais tarde, em Cannes, um grupo de jovens franceses (ignorantes) perguntou-nos de onde éramos. Respondi, Portugal. E um deles, armado em esperto, perguntou-me se ficava na América do Sul. Atirei-me ao ar, novamente, e disse-lhe que o que ele precisava era de estudar um pouco mais, ou então de começar a ler uns livros.

Noutros países por onde passei, tirando a Amália e o Eusébio, poucas outras associações se faziam ao nosso país. Os únicos países por onde passei e que fiquei com a sensação de que as pessoas olhavam Portugal como grande, foram países onde o povo é pequeno, pequeno face à situação económica que os acolhe, tal como a Roménia, Marrocos ou o Brasil.

Nos países onde as comunidades emigrantes são maiores, os autóctones reconhecem-nos a eficiência, a honestidade, a capacidade produtiva, mas quer queiram, quer não, e espero não estar a ferir susceptibilidades, somos emigrantes, classe inferior. Sei que, nalguns casos, esta tendência se está a inverter (ao fim da 3ª ou 4ª geração!).

Mas, agora, reflectindo nestes pequenos episódios e olhando para trás, penso que de facto, Portugal, desde há 500 anos que é pequeno. E aqui não falo em termos geográficos, falo em termos de altivez.
Portugal foi mal gerido ao longo de todos estes séculos, perdemos não só o poder, mas também o orgulho, a fé.
Perdemos até a vontade de nos defendermos. E para um país onde metade da população vive só de aparências, é quase antagónico que tal aconteça.
Queremos ser melhores que o vizinho, ter uma casa maior, ter um carro mais potente, ir passar férias mais longe, e depois? Depois rendemo-nos aos encantos dos outros países e reconhecemos a nossa pequenez.

Não quero ser arrogante, tal como o francês de Nice, nem quero ser satírica tal como o jovem de Cannes, mas acho que temos de ter orgulho no que é nosso.
Defender o que temos de bom e tentar remediar o que temos de mau.

Lá não é como cá, é uma expressão gasta. Já não entra no ouvido.
Tenho orgulho em ser portuguesa, sempre tive. Sempre tive orgulho no meu país.
Sei que somos feitos de uma raça vencedora. Dêem-nos causas.

E terei mais orgulho em saber que este foi o Europeu mais bem organizado de toda a história dos Europeus, do que se formos os vencedores no final do torneio.


Porque as férias estão aí...

...é sempre bom saber que a DECO, lançou um dossier com conselhos sobre as férias e os direitos do turista.



Absolutamente espectacular


Image credit: NASA/JPL/Space Science Institute.


As primeiras imagens de Saturno no site da NASA, tiradas pela sonda Cassini-Huygens, que entrou ontem na órbita de Saturno:

Cassini-Huygens NASA