outubro 17, 2012

MURAKAMI I LV U

O primeiro que li foi Kafka à Beira Mar. Comprei-o pelo título. Achei piada alguém ter tido a audácia de escrever um romance sobre um personagem da literatura tão intrincado como os seus romances. Desenganei-me logo a seguir. Nem Kafka do processo fazia parte, nem aquele mundo era tão negro e burocrático como o que o romancista checo pintou. Aqui tratava-se não simplesmente de um mundo fantástico, mas também de um romance povoado pelas mais fantasiosas personagens com personalidades sempre únicas e vincadas. Kafka afinal era apenas uma delas. E quando digo apenas, não a quero resumir a algo linear, porque nenhuma das suas personagens o é. A partir daí li o que pude e não pude. Ainda não li todos, felizmente. Tenho ainda uma reserva de Murakami que me aguarda até à saída do seu próximo romance. E para além disso, são romances daqueles que podemos guardar para poder reler com prazer, descobrindo sempre novos caminhos. Não cansa, não dói.
Mundos complexos, personagens complexas, que vivem uma vida, contraditoriamente, quase ascética, embora povoada de prazeres, prazeres simples. A contemplação, as paisagens, o mundo urbano de Tóquio, as diferenças sociais e um mundo não tão perfeito e justo como poderíamos pensar que fosse o japonês. A música clássica, o jazz, a gastronomia japonesa (cuja desrição me leva sempre a crer que é muito mais saudável do que tudo o que possa ter comido antes), a organização, a limpeza quase obsessiva, são também agumas das presenças quase imperceptíveis no mundo Murakami, mas que invloluntariamente assimilamos e quase queremos mimetar no mundo real.
Os meus hábitos de leitura têm ciclos, é certo. Ainda há pouco lia Gonçalo M. Tavares com devoção, Valter Hugo Mãe com admiração, José Luís Peixoto com satisfação, mas Murakami já povoa o meu universo há muitos anos e continuo fiel, fã, humilde admiradora de um grandioso escritor que me fez descobrir uma cultura e um pensamento diferentes mas que afinal em tanto se assemelha ao nosso. Como qual, mesmo com histórias diferentes, com distâncias geográficas e culturas paralelas o ser humano se resume aquilo que é, um ser humano com as suas fraquezas intrínsecas. Enquanto ser humano identifico-me com essas fraquezas.
Se é um escritor de culto, como a imprensa internaconal o cataloga, então eu definitivamente entrei para essa religião, seita ou o que lhe queiram chamar. Mas ninguém me cobra nada, apenas recebo.
Escrevi esta nota quando Murakami mais uma vez foi indicado para o Prémio Nobel. Ainda não foi desta. Outros valores se levantaram. Também não terei, por enquanto, a oportunidade de conhecer a obra do recente nomeado, visto que as suas obras não foram editadas no nosso país. Mas algo se confirma no meio disto tudo, o império do sol, de facto, tem dificuldade em ganhar guerras e o mundo está a começar a tremer desde que a China acordou, tal como previu Alain Peyrefitte.



janeiro 29, 2007

Resultou :-)

Brevemente...

... o Alinhavos acordará da letargia em que tem estado confinado de há uns meses para cá. Ele e a sua autora.

outubro 30, 2006

Cheias em Tomar - 25 Outubro 2006

Foto gentilmente cedida pelo meu mano.

Apesar de terem sido demasiado empoladas pela comunicação social, porque nós, tomarenses, já vimos bem pior, aqui fica postada uma imagem sobre as últimas cheias de Tomar.

outubro 11, 2006

Dúvida gramatical

"Demasiado pouco" existe?

Ontem no programa "Por Outro Lado", dito pelo convidado caboverdiano.

outubro 06, 2006

BLOGOPUB

Este Blogopub, que já há muito não editava, é particularmente especial.
Venho dar-vos a conhecer um novo blogue que promete, ou não conhecesse eu a autora. Chama-se DAR e vou adicioná-lo na blogosfera ali ao lado, mal tenha tempo de mergulhar nos templates.
A autora assina DSL, e não confundir com LSD, porque ela tem os pés bem assentes na terra e em nada se compara ao produto alucinogénio. DSL é uma amiga, companheira a quem NÃO PERDOO por não me ter avisado que iria iniciar-se neste mundo cibernético e mágico!

Bons posts amiga.

setembro 29, 2006

M: Mãaaae?
Eu: Diz.
M: Sabes quais são os animais mais antigos da terra?
S: Fiuuuu
Eu: (Não querendo fazer má figura) Diz tu.
S: Fiuuuu
M: A vaca e a zebra!
Eu: A vaca e a zebra??? Mas porquê?
S: Fiuuuu
M: Porque ainda são a preto e branco!
(risos)
S: Fiuuuu
S: Olha, mãe, já sei assobiar (ler com pronúncia de "sopinha de massa")
(risos)

setembro 21, 2006

Proporções temporais



Na semana passada aconteceu algo de extraordinário, que não me lembro de me ter acontecido antes. A escola que o meu filho frequenta foi a escola que frequentei há 30 anos atrás.

Este ano a turma do meu filho mudou para o primeiro andar do bloco, precisamente para a sala onde eu há 30 anos aprendi o abecedário e a tabuada.

Ao entrar naquela sala pela primeira vez, depois destes anos todos de interrupção, tive uma sensação excepcional.

Outras pessoas já terão experimentado algo semelhante, mas para mim foi uma estreia, e que estreia!
Fiquei colada ao chão, quase sem poder andar quando me apercebi que aquela sala, que tantas vezes recordo em episódios de infância aí acontecidos, é na realidade minúscula, quando durante todos estes anos a imaginei com as minhas proporções de criança. Imaginei-a grande, enorme, provavelmente como o meu filho agora a vê.

Tudo o resto vai evoluindo, envelhecendo. As proporções não, ficam ali imparáveis, na sua visão de infância, quando se fazem cortes temporais. E o mais curioso desta experiência, é que mesmo agora ao escrever este texto, sobre a dita sala, continuo a imaginá-la enorme, não consigo associar as recordações a outras proporções que não aquelas que já tinha aqui armazenadas no cantinho do cérebro que diz infância.
Trinta anos de hábitos são difíceis de mudar.