Por vezes a vida impede-nos de fazermos o que mais gostamos. Passear na praia, viajar por lugares recônditos, passar horas à conversa com amigos, ler um bom livro, ver um bom filme, ouvir uma boa música, olhando o infinito.
Escrever no meu blogue tem dias em que se insere no parágrafo anterior, tem outros em que nem por isso. Encaro-o como algo que me apetece de vez em quando. Sem obrigações, sem prazos para cumprir, sem satisfações a dar.
Ultimamente não me tem apetecido, nem tenho tido muito tempo para me lembrar dele. Aliás já me apercebi que me lembro mais vezes dele naquelas épocas em que o trabalho não aperta tanto. Nessas épocas, talvez por necessidade de manter a mente ocupada, me lembre mais dele.
Continuo, no entanto, fascinada por este mundo que é a blogosfera. Adoro viajar de um blogue para o outro. Ler sobre os mais variados assuntos, sabendo que aqui não há imparcialidade, porque são as opiniões de individuos que escrevem no seu diário, mesmo sabendo, claro, e até com uma boa dose de vaidade para alguns, que ele será lido por muitos.
Desculpem a modéstia, mas não é o meu caso.
Neste momento, o trabalho ainda aperta, mas não sei se foi a época mais descontraída da Páscoa, se a saudade que já aperta, que me fez voltar. Voltar ao que era, ao que já foi, ao que é, ao que será.
Uma incógnita sempre.
Um livro aberto também.
Uma página favorita marcada num livro de poemas.
Um quadro de que se gosta.
Uma paisagem conhecida.
Um nascer e renascer, qual fénix em tempos cinzas.
Prelúdio
Reteso as cordas desta velha lira,
Tonta viola que de mão em mão
Se afina e desafina, e donde ninguém tira
Senão acordes de inquietação.
Chegou a minha vez, e não hesito:
Quero ao menos falhar em tom agudo.
Cada som como um grito
Que no seu desespero diga tudo.
E arrepelo a cítara divina.
Agora ou nunca - meu refrão antigo.
O destino destina,
Mas o resto é comigo.
Miguel Torga, In Orfeu Rebelde
março 24, 2006
fevereiro 10, 2006
Oportunidade de emprego
Freitas dispensa 39 conselheiros e adidos técnicos.
Freitas abre concurso para 20 adidos.
Paradoxos??
Não, se tivermos em conta que os primeiros tinham um rendimento mensal médio que oscilava entre os 9000 e os 12000 euros e os segundos irão auferir um rendimento mensal minímo de 1481.64 euros mais um suplemento de 296.33 euros.
A pergunta que fica é:
Quem é que contratou os primeiros????
Freitas abre concurso para 20 adidos.
Paradoxos??
Não, se tivermos em conta que os primeiros tinham um rendimento mensal médio que oscilava entre os 9000 e os 12000 euros e os segundos irão auferir um rendimento mensal minímo de 1481.64 euros mais um suplemento de 296.33 euros.
A pergunta que fica é:
Quem é que contratou os primeiros????
fevereiro 03, 2006
Gay Pride

Já há alguns dias que não se fala de outro assunto. Jornais, televisões, rádios, na ânsia de não se abafarem uns aos outros, optam por falar sempre da mesma coisa, e por vezes de coisas que não interessam à maior parte dos seus ouvintes.
Sinceramente, não sou conservadora ao ponto de pensar que cada um não é livre de escolher as suas opções. Se existem pessoas que se sentem atraídas por outras do mesmo sexo, acho que o problema é só delas e a opção também. No entanto, tenho mais em que pensar do que saber se devemos ou não permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Aliás, nem percebo como é que os homossexuais estão tão empenhados em ganhar algo de que os heterossexuais estão fartos!
Querem considerar-se iguais. Tudo bem! Quem sou eu para os impedir de terem essas aspirações? Porém, penso que Portugal tem problemas sociais muito mais graves por resolver e em que pensar.
Porquê centrarmo-nos em problemas que, sinceramente, para mim não são problemas. O que ganham com isso os homossexuais? Reconhecimento da classe? Um pedestal? Uma condecoração por terem assumido as suas escolhas sexuais?
Não me levem a mal, mas não estamos aqui a discutir assuntos que irão mudar a vida dessas pessoas. Elas já são reconhecidas pela união de facto. Podem ter uma vida normal (dentro do possível das escolhas que fizeram), excepto no que toca a ter filhos, porque aí, como todos sabemos, e a não ser que haja intervenção divina, será impossível gerar vida.
Esta luta constante para mim não faz sentido, revolta-me. A sociedade já aceitou os homossexuais, convive com eles, é tolerante, mesmo quando fazem questão de fazer paradas provocatórias alusivas ao orgulho de ser gay. Alguma vez alguém viu uma parada de orgulho heterossexual??
Porquê esta constante necessidade de provocar?
A Teresa e a Helena (não consegui distinguir o noivo, mas devia ser aquela que tinha voz de bronco) conseguiram o que queriam, a atenção dos media.
No entanto, o meu apelo ao Governo, é que este incidente não o desconcentre daquilo que todos, homos e heteros, reivindicamos: uma vida digna, uma economia forte, um sistema de saúde que funcione, a garantia de uma velhice tranquila, boas instituições de ensino.
fevereiro 02, 2006
A polémica continua
Ontem por solidariedade vários jornais europeus publicaram os cartoons "malditos", em nome da liberdade de expressão.
"Sim, nós temos o direito de caricaturar Deus", titula o France Soir. No cartoon que ocupa toda a primeira página, o diário francês mostra quatro representações de Deus nas várias religiões que trocam impressões sobre uma nuvem "não te rales Maomé, aqui já fomos todos caricaturados".
Hoje o director do jornal France Soir foi despedido pelo seu proprietário, um franco-egipcío.
Mais aqui e aqui.
"Sim, nós temos o direito de caricaturar Deus", titula o France Soir. No cartoon que ocupa toda a primeira página, o diário francês mostra quatro representações de Deus nas várias religiões que trocam impressões sobre uma nuvem "não te rales Maomé, aqui já fomos todos caricaturados".
Hoje o director do jornal France Soir foi despedido pelo seu proprietário, um franco-egipcío.
Mais aqui e aqui.
fevereiro 01, 2006
Os homens estão loucos, os deuses continuam sãos...
Século XXI, Planeta Terra (pequeno grão de areia na imensidão do espaço).
A evolução tecnológica registada permite aos seus habitantes contactar o lado oposto do mesmo com um simples click. Milésimos de segundo para comunicarem entre si. A comunicação é lata, evoluiu mais rápido do que qualquer outra ciência e começa a ficar desgovernada.
Noruega: um país nórdico do continente europeu.
Liberdade de expressão: uma das máximas dos seus habitantes.
Setembro de 2005: num jornal nacional são publicados cartoons satíricos sobre o Profeta Maomé. Regista-se uma onda de protestos por parte da comunidade islamica que habita esse País. Nenhum incidente digno de registo.
Janeiro 2006: a revista cristã Magazinet (norueguesa) decide publicar os mesmos cartoons.
A revista chega a todo o mundo islamico: explode uma onda de protestos com ameças de morte, expulsão de norugueses de países islamicos, encerramento de representações diplomáticas, boicotes a produtos noruegueses, ardem bandeiras norueguesas, cresce o ódio.
Li vários artigos sobre o caso que, para mim, sinceramente, me parece ridiculo. Normalmente quando alguém não encaixa bem uma piada, seja ela satírica ou não, é porque existe algum sentimento recalcado que a impede de perceber com clareza. Sentimentos de culpa, de inferioridade, de perseguição, de raiva, de impotência ou muitas vezes um sentimento de revolta por não ter o poder de evitar que lhe façam piadas satíricas sobre algum ponto fraco.
O 11 de Setembro marcou, deixou feridas difíceis de sarar e também acabou por ser injusto para com a generalidade do povo islamico. O fanatismo concedo que não habitará todos os seguidores de Maomé, no entanto, foi em nome dele que as maiores atrocidades dos últimos anos foram executadas. É normal (ou talvez não seja) que se meta tudo no mesmo saco. É normal na espécie humana, que está em constante evolução e ainda não conseguiu atingir o Nirvana. Os defeitos da raça humana, por muitas evoluções que tenhamos tido, continuam todos cá.
Agora observem um dos cartoons que deu origem à polémica:

Tudo por causa disto??
Tendo em conta que o Profeta Maomé pregou a paz com Deus e entre os homens, deverá estar neste momento a dar reviravoltas no túmulo pela reacção descabida. Se os politicos têm poder de encaixe para os ataques satíricos que sofrem diariamente, acham que um Profeta não teria??
Aqui é que é caso para dizer: Pelo amor de Deus!!!!
Aqui é que é caso para dizer: Pelo amor de Deus!!!!
Caso estejam interessados em ver os outros 11 cartoons, cliquem aqui e corram a página até abaixo: BrusselsJournal
E para que não pensem que não existem cartoons satíricos contra a religião cristã aqui fica um deles para que se possam deliciar e rir do mesmo e de nós próprios, pois foi para isso mesmo que foi criado:
É verdade!!...
Caso não tenham reparado os meus amigos benfiquistas lampiões, o SPORTING ganhou, no passado Sábado!! (disfruto, enquanto posso :-)
janeiro 25, 2006
janeiro 24, 2006
Back to "Cavaquistão" (Estou de volta)
A dica que deixei no último post indicava Havana, Cuba.
Voltei no domingo depois de uma semana que me deixou perplexa pela negativa.
Já sabia que iria visitar uma ditadura, já sabia que iria visitar um país pobre, mas a carga negativa que o país transpira superou por demais as minhas piores expectativas.
Este não foi o primeiro país pobre que visitei, no entanto, foi o que mais me chocou.
Talvez sejam os vestígios de uma era dourada, que ainda restam e que nos deixam adivinhar o quanto podemos afundar-nos em ideais.
A lindíssima arquitectura colonial espanhola que se pode admirar em todo o país, completamente desmoronada, degradada, onde vivem famílias sem dinheiro para a remediarem. Os carros americanos (Chevrolets, Buicks, Cadillacs), um “museo volante” como lhe chamam os cubanos, outro desses vestígios de uma época em que o petróleo nascia no jardim. Tudo características de uma Cuba turística, que encanta, mas que demonstra que “El Comandante” deveria abandonar o barco e finalmente oferecer a liberdade que prometeu há mais de 40 anos.
Em Cuba tudo é do Estado, já sabíamos! Mas o Estado, tal como o nosso, não tem condições económicas para poder manter um país inteiro.
Digam-me os mais fervorosos desses ideais comunistas e socialistas se teriam a mesma força de viver se trabalhassem para um ideal que não lhes dá sequer para comer.
Mas a educação e a saúde são gratuitas! Sim, claro, mas quando se tira um curso de medicina para receber 20 euros por mês, não sei se valerá a pena…
Quando se trabalha uma vida inteira para viver numa casa que nunca poderá ser nossa, para ter uma empresa da qual o Estado ficará sempre com 51%, não sei se valerá a pena…
O que Cuba tem de mais valioso é aquele povo afável, alegre e ritmado, que não merece viver oprimido, como vive.
Enquanto o comunismo se manteve na Europa, a Rússia tinha todo o interesse em amparar um país irmão a 200 quilómetros da América, onde a bandeira era altivamente hasteada e quase se conseguia ver do outro lado do canal que a separa da Florida. Era o orgulho de um ideal que, como se veio a constatar, quando caíram muros e se abriram fronteiras, não passava disso mesmo, um ideal, um modelo que não funcionou, que não trouxe nada ao povo, quando deveria ter sido o contrário.
Porém Cuba é orgulhosa, “El Comandante” mais ainda e não vergou, não embarcou num barco chamado Perestroika, sofrendo agora as consequências que facilmente se podem constatar in loco. Aliás, Cuba embarcou nele (Doutrina Sinatra), indirectamente, mas não navegou para o mesmo cais. O barco que vinha sempre recheado, quando mudou de nome começou a vir vazio e esse foi, sem dúvida, o maior problema.
Cuba tem recursos para poder sobreviver sozinha, não duvido, mas as feridas antigas têm de ser saradas, as fronteiras comerciais abertas e as politicas mudadas.
E depois há sempre o reverso da medalha. Quando se vive um ideal em que todos deveriam ser iguais, porque é que existem alguns que “são mais iguais que outros”? Não compreendo. E estou certa que o pobre povo cubano também não compreende. Que não vivem todos em condições iguais, disso fiquei certa, só não consegui compreender o porquê. Talvez alguém mo consiga explicar.
janeiro 09, 2006
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