Reuters:
“A morte de mais de 320 crianças, pais e professores durante o sangrento desfecho do sequestro de 53 horas de uma escola atingiu praticamente todas as famílias da pequena cidade russa de Beslan.”
Hoje apetece-me falar de consternação. Da consternação que senti quando vi as imagens do extermínio na pequena cidade de Beslan, na Ossétia do Norte, que tem o terrível azar de se localizar a poucos quilómetros da conflituosa Tchétchénia.
Deixei as lágrimas correrem-me pelas faces, senti apenas parte da dor, da revolta, do ódio, da incredulidade que aquela população do interior da Rússia sentiu, pois assisto de longe, vejo através de imagens, não conheço as pessoas, não falo a língua delas nem a compreendo, pratico outra religião, tenho outros costumes, outras tradições.
Mas também sou mãe, também vivo no interior de um país e sei o que daí incorre. Incorre que em cidades pequenas, as pessoas podem não se conhecer pessoalmente, mas conhecem-se todas de vista. A cidade foi desmembrada, foi violada, foi esventrada. O défice não se aplica só aos que morreram, mas também aos que ficaram vivos e que terão de viver para sempre com a recordação do terror, com as lacunas que persistirão no seu dia-a-dia, nas suas convivências.
O menino que via todos os dias passar para a escola, deixará de o ver, a professora da qual os filhos gabavam as qualidades, deixou de existir, os jovens que se juntavam naquele clube para passar o tempo e namoriscar, deixaram de aparecer, o namorado a quem fez promessas de amor eterno, desapareceu, a mãe que todos os dias os vestia com carinho, antes de os levar à escola, deixará de o fazer.
Todos mortos, todo um quotidiano de uma pequena cidade alterado. Toda uma geração desmembrada. Toda uma cidade manchada pela dor. Uma cidade na qual ninguém está disponível para confortar o outro, pois a sua dor ocupa-o demasiado, ou então choram em conjunto, tentando dividir o sofrimento.
As razões que levaram a tamanha loucura, insanidade, prefiro não as comentar pois acho que não existem, não podem existir razões ou justificações para tamanha barbárie. Foram actos os quais eu, enquanto ser humano, não consigo avaliar. Só seres inumanos, bárbaros e atrozes poderão compreender o que ali se passou. Não me incluo nessa estirpe.
setembro 06, 2004
setembro 02, 2004
setembro 01, 2004
Acabaram
Depois de 3 semanas longe do local de trabalho, quase que sabe bem regressar.
Faz-me lembrar um pouco os tempos de escola em que nos três meses de férias do Verão o último era dedicado a sonhar com o primeiro dia de escola, voltar a ver os colegas, folhear os novos livros, aprender coisas novas.
Digamos que não é bem esse o sentimento que me invade neste momento, mas estou satisfeita por voltar à minha secretária, ao meu computador, ver de novo as caras dos colegas e esperar que este novo ano me traga projectos interessantes e seja o culminar de outros que já tinha iniciado.
Enfim o regresso é sempre uma esperança, um recomeçar, um projecto desconhecido, pelo menos para mim, que sou uma pessoa optimista por natureza.
E o regresso supõe também que temos onde regressar o que nos dá estabilidade e motivação.
Enfim as férias passaram, não foram nada de especial, o normal.
Alguns dias em casa para poder ver como são as cores do jardim nas horas em que normalmente não estou lá e uns dias no tumultuoso Agosto algarvio.
Anunciam-se melhores férias para Janeiro, mas até lá darei conhecimento (para que se roam de inveja!).
Entretanto, vou ler uns jornais para ver como vai o nosso país.
Até já!!
agosto 06, 2004
FÉRIAS.....FINALMENTE!!!!!!!!!!!!!
Depois de vários dias frenéticos de trabalho (o português é mesmo assim, deixa tudo para os últimos dias...), depois de vários dias de dieta no que toca a posts (falta de inspiração, cérebro ocupado com outros problemas...), depois da ansiosa contagem decrescente que antecipa as férias, vou finalmente entrar no período de descanso anual.
VIVAM AS FÉRIAS!!!
VIVA O DESCANSO!!!
E atenção!!!.....Prometo voltar....
ATÉ BREVE!!! (se não for antes...)
Jornal o Templário
O Jornal regional O Templário, com o qual, ocasionalmente, colaboro já tem uma versão online.
Vale a pena passar por lá de vez em quando!
agosto 02, 2004
julho 31, 2004
Ar livre
Ar livre, que não respiro!
Ou são pela asfixia?
Miséria de cobardia
Que não arromba a janela
Da sala onde a fantasia
Estiola e fica amarela!
Ar livre, digo-vos eu!
Ou estamos nalgum museu
De manequins de cartão?
Abaixo! E ninguém se importe!
Antes o caos que a morte...
De par em par, pois então?!
Ar livre! correntes de ar
Por toda a casa empestada!
(Vendavais na terra inteira,
A própria dor arejada,
- E nós nesta borralheira
De estufa calafetada!)
Ar livre! Que ninguém canta
Com a corda na garganta,
Tolhido da inspiração!
Ar livre, como se tem
Fora do ventre da mãe,
Desligado do cordão!
Ar livre, sem restrições!
Ou há pulmões,
Ou não há!
Fechem as outras riquezas,
Mas tenham fartas as mesas
Do ar que a vida nos dá!
Miguel Torga In Cântico do Homem
julho 30, 2004
Já cheira a férias....
...já me começa a dar a moleza própria das ditas....
+
+
=
PARAÍSO
+
+
=
PARAÍSO
(Equação Perfeita)
julho 28, 2004
Secretaria de Estado do Turismo, que futuro?
Antes de mais peço desculpa a quem por aqui passa por ter um post tão longo, mas as últimas alterações deste novo Governo fizeram-me reflectir sobre alguns aspectos, com os quais tenho mais empatia e daí as longas linhas abaixo escritas.
Um dos principais problemas de Portugal ao nível do sector turístico é a falta de homogeneidade no que respeita ao número de turistas por região. Temos três regiões chave para o Turismo: Algarve, Lisboa e Madeira, que abrangem entre 80 e 90% do sector e temos o restante território nacional com taxas de visita baixíssimas.
O interior do país menosprezado face ao litoral, e face às grandes regiões do sector.
Certo é que todas as regiões portuguesas têm características que as tornam únicas, têm recursos naturais e culturais excelentes, que com as devidas infra-estruturas de apoio se poderiam transformar em belíssimos produtos turísticos, não só para os nacionais, mas também para os estrangeiros.
Faltam meios, falta iniciativa e falta sobretudo apoio do Poder Central.
Por isso, não compreendo esta decisão do executivo do Dr. Santana Lopes de sediar a Secretaria de Estado do Turismo no Algarve. Se o objectivo era descentralizar, objectivamente está correcto, mas se analisarmos mais profundamente a questão, chegaremos à conclusão de que esta opção é um erro.
As regiões que deveriam beneficiar mais com esta descentralização deveriam ser exactamente aquelas onde o sector ainda está pouco desenvolvido, para que o senhor Secretário de Estado do Turismo e respectiva equipa se apercebessem das lacunas aí existentes e criassem políticas que as favorecessem.
Aliás, como é do conhecimento público, muitas destas regiões não têm sequer outro tipo de sector económico que as sustente, e o turismo é o escape económico para estas populações. Mas a falta de profissionalismo, a falta de investimentos e muitas vezes, a falta de iniciativa, tornam esta tarefa impossível.
O discurso governamental, já desde os tempos de António Ferro e da sua “política do espírito” que aponta como principal veículo da imagem do país e de desenvolvimento económico do mesmo o Turismo. Embora não possamos concordar com a ideologia de António Ferro e do seu Secretariado de Propaganda Nacional (SPN), mais tarde transformado no Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI), que tinha o turismo como meio de difusão da imagem de um país feliz consigo próprio, como um meio de manipular a identidade popular portuguesa, temos no entanto que concordar que este poderá ser um meio de desenvolvimento económico, sem ideologias baratas, sem utopias.
Não seremos os primeiros, nem seremos por certo os únicos.
As apostas noutros sectores, que à partida não conseguem competir com os dos outros países, não será um erro, mas talvez um desvio daquilo que poderá ser o futuro de Portugal.
Não teremos que cultivar, necessariamente, o turismo barato, para as massas, mas poderemos apostar num turismo cultural, de elites informadas, que trariam divisas para Portugal, e que levariam daqui, sem dúvida, as melhores recordações, misturado com o turismo balnear que nos caracteriza já há tantos anos e que nesta altura importa sobretudo reformular.
O Algarve tem vindo a perder receitas face a Lisboa, que na minha opinião reflecte um desgaste prolongado, um desacerto de planeamento a todos os níveis.
Resta-nos apenas a esperança que a Secretaria de Estado do Turismo sinta isso mesmo, e que pelo menos no Algarve as coisas melhorem em termos de qualidade.
No futuro... bom no futuro, talvez tenhamos que pensar em reformular toda a estrutura das Organizações Nacionais de Turismo, porque até agora ainda nenhum dos governos conseguiu encontrar o modelo ideal.
E este do Dr. Santana Lopes também não será de certeza a solução!
Um dos principais problemas de Portugal ao nível do sector turístico é a falta de homogeneidade no que respeita ao número de turistas por região. Temos três regiões chave para o Turismo: Algarve, Lisboa e Madeira, que abrangem entre 80 e 90% do sector e temos o restante território nacional com taxas de visita baixíssimas.
O interior do país menosprezado face ao litoral, e face às grandes regiões do sector.
Certo é que todas as regiões portuguesas têm características que as tornam únicas, têm recursos naturais e culturais excelentes, que com as devidas infra-estruturas de apoio se poderiam transformar em belíssimos produtos turísticos, não só para os nacionais, mas também para os estrangeiros.
Faltam meios, falta iniciativa e falta sobretudo apoio do Poder Central.
Por isso, não compreendo esta decisão do executivo do Dr. Santana Lopes de sediar a Secretaria de Estado do Turismo no Algarve. Se o objectivo era descentralizar, objectivamente está correcto, mas se analisarmos mais profundamente a questão, chegaremos à conclusão de que esta opção é um erro.
As regiões que deveriam beneficiar mais com esta descentralização deveriam ser exactamente aquelas onde o sector ainda está pouco desenvolvido, para que o senhor Secretário de Estado do Turismo e respectiva equipa se apercebessem das lacunas aí existentes e criassem políticas que as favorecessem.
Aliás, como é do conhecimento público, muitas destas regiões não têm sequer outro tipo de sector económico que as sustente, e o turismo é o escape económico para estas populações. Mas a falta de profissionalismo, a falta de investimentos e muitas vezes, a falta de iniciativa, tornam esta tarefa impossível.
O discurso governamental, já desde os tempos de António Ferro e da sua “política do espírito” que aponta como principal veículo da imagem do país e de desenvolvimento económico do mesmo o Turismo. Embora não possamos concordar com a ideologia de António Ferro e do seu Secretariado de Propaganda Nacional (SPN), mais tarde transformado no Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI), que tinha o turismo como meio de difusão da imagem de um país feliz consigo próprio, como um meio de manipular a identidade popular portuguesa, temos no entanto que concordar que este poderá ser um meio de desenvolvimento económico, sem ideologias baratas, sem utopias.
Não seremos os primeiros, nem seremos por certo os únicos.
As apostas noutros sectores, que à partida não conseguem competir com os dos outros países, não será um erro, mas talvez um desvio daquilo que poderá ser o futuro de Portugal.
Não teremos que cultivar, necessariamente, o turismo barato, para as massas, mas poderemos apostar num turismo cultural, de elites informadas, que trariam divisas para Portugal, e que levariam daqui, sem dúvida, as melhores recordações, misturado com o turismo balnear que nos caracteriza já há tantos anos e que nesta altura importa sobretudo reformular.
O Algarve tem vindo a perder receitas face a Lisboa, que na minha opinião reflecte um desgaste prolongado, um desacerto de planeamento a todos os níveis.
Resta-nos apenas a esperança que a Secretaria de Estado do Turismo sinta isso mesmo, e que pelo menos no Algarve as coisas melhorem em termos de qualidade.
No futuro... bom no futuro, talvez tenhamos que pensar em reformular toda a estrutura das Organizações Nacionais de Turismo, porque até agora ainda nenhum dos governos conseguiu encontrar o modelo ideal.
E este do Dr. Santana Lopes também não será de certeza a solução!
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