maio 21, 2004

Bom FDS


Bom fim de semana para a comunidade blogueira.
Eu já fui...
P'ra qui:


Por onde vais América? Não vás por aí.

Interessante de ver a reacção de um americano face à notícia do bombardeamento de um casamento iraquiano. Ver no The Left Coaster (ver post do dia 20 Maio).

Where is Raed ?

Hoje decidi ir dar uma volta por um dos blogues mais procurados durante os primeiros meses de guerra no Iraque Where is Raed.
Os posts continuam emocionantes.
Encontrei uma sondagem muito interessante, para a qual deixo aqui o link.
Cada um que tire as suas conclusões.

Portugueses viajam menos



Segundo dados do INE publicados no Diário Digital, os portugueses viajaram menos em 2003. 16,6% foi a quebra registada nas viagens dos residentes.

Outro dado importante a assinalar neste artigo é o facto de, no que diz respeito ao turismo interno, 67,7% das dormidas se ter efectuado em alojamento privado gratuito, contra 16,2% em estabelecimentos hoteleiros.
O que quer dizer que, apesar de tudo, se procuram alternativas para ter as tão merecidas férias.

Estes dados são o reflexo da crise que todos temos sentido. O Português médio, que começou há poucos anos, a sair do seu país, vê-se agora confrontado, novamente, com ginásticas orçamentais que o impedem de conhecer mundo, de fugir à rotina.

Estamos a regredir e esta regressão nota-se mesmo num dos sectores onde a crise, normalmente, nunca é tão acentuada.

maio 20, 2004

Mais uma vitória para Portugal


O. M. T.



Não é uma vitória desportiva, mas uma vitória estratégica, a qual vou tentar acompanhar de perto. Ver notícia no Diário Digital

maio 19, 2004

Laetizia e Felipe



Inspirada por um post de uma amiga minha, decidi colocar aqui algumas questões sobre o casamento real espanhol.

Primeiro: Há quantos meses andamos a ouvir notícias que falam deste acontecimento?

Segundo: Será que ainda é notícia? Não está já demasiado gasto o tema?

Terceiro: Especulou-se tanto sobre Laetizia e a sua vida "normal", de mulher de 30 anos, no século XXI, e agora, mesmo não sendo imaculada, o casamento sempre vai avante?

Quarto: Quem é que se lembrou de convidar a Lili Caneças para fazer a cobertura do acontecimento?

Quinto: Quem é que se lembrou de convidar o D. Duarte para o casamento?

Sexto: O que me interessa a mim que façam dedais, pratos, almofadas e leques com as fotos dos noivos reais?

Sétimo: Será que é normal pagarem-se milhares de euros por alugueis de varandas?

Oitavo: Teremos voltado ao império romano, onde o povo era iludido com circo?

Nono: Desprezamos tanto a nossa costela espanhola e de súbito toda a comunicação social fala disto?

Décimo: É tanta a expectativa que permito-me perguntar: O que é que vai mudar daqui para a frente? O mundo vai ser outro? Vai acabar a guerra, a fome, a violência?

maio 18, 2004

PORTUGAL!!!!




Lista de convocados:

24 na selecção
11 milhões nas bancadas



Em tempos de baixo astral é importante sabermos quem somos, reconhecermos os pequenos gestos que nos ligam enquanto sociedade. A língua, os usos, os costumes, os hábitos, são parte integrante da nossa vivência enquanto povo, que nos distingue dos demais.
É importante termos orgulho na nossa memória, no nosso passado, no nosso presente e na geração que marcará o nosso futuro.
Não podemos ter medo dos clichés, de acharmos que o amor que temos à nossa Nação terá que ser comedido, com receio que este nos catalogue de extremistas.

Portugal precisa de auto-estima, e a melhor maneira será, nós portugueses, aprendermos a gostar do nosso país, com os seus defeitos, com as suas lacunas.

Em tempo de Europeu, todos temos de gritar e vibrar pela nossa selecção, pensando que ali está o nosso país representado. Ter orgulho em ser português, tal como temos em ser Benfiquista, Sportinguista, Portista, Lisboeta, Madeirense, Alentejano, Algarvio....
Ter orgulho em sermos um só país, uma só Nação, que renasceu há poucos anos, que ainda dá os primeiros passos na democracia.

PORTUGAL! PORTUGAL!

maio 17, 2004

Tempos modernos

Nasci na cidade, mas sinto-me do campo. Do campo de onde guardo as mais ternas recordações dos meus dias de infância. As férias escolares e tudo o que guardavam de surpresas, de novos amigos, lá, na aldeia da minha avó.
Guardo ternas recordações das brincadeiras inocentes, dos amigos que voltavam todos os anos, dos dias que se passavam em liberdade, em comunhão com a natureza.
Colhia-mos amoras, comia-mos os frutos das árvores e perdiamo-nos em eternas brincadeiras de esconde-esconde, saltos na corda e desvarios de bicicleta. Calcorreávamos pinhais, chapinhávamos nos ribeiros e só parávamos para uma breve refeição, comida à pressa na ânsia de retomar o jogo suspenso.
Era uma sensação de alegria pura, de eterna felicidade.

Hoje sou mãe e vivo na crescente amargura de não poder oferecer aos meus filhos o que os meus pais me ofereceram: a simplicidade da vida.
Chegam as férias deles e encarcero-os num qualquer ATL, fruto dos tempos modernos.
Hoje os avós trabalham, a vida corre mais depressa, o vagar de outros tempos apagou-se, ficou esquecido algures na conjuntura.
Não sabem quais são as flores que se chupam e amargam, nem as que se chupam e são doces. Nunca apanharam grilos, nem nunca foram buscar água à fonte.

Queremos oferecer-lhes um futuro, dar-lhes tudo o que de material existe, para compensar esta lacuna enorme que é não os deixar ser crianças em sintonia com a liberdade.
Hoje os tempos são outros. A insegurança, o crime são o mote. As notícias uma propaganda de violência.
E as nossas crianças? Por aqui andam perdidas neste mundo de loucos, sujeitos às loucuras dos pais, que trabalham de sol a sol, para lhes oferecerem jogos de vídeo e telemóveis de última geração.

Antes da tecnologia nasceu a natureza, e quando Deus decidiu criar o homem colocou-o frente a frente com essa mesma natureza, sem armas, sem tecnologias.

Por isso é natural que eu guarde melhores recordações do meus telefones de copo e cordel do que do primeiro telemóvel que comprei, que aprecie mais um pôr-do-sol do que um programa televisivo, que me retenha em pensamentos nos passeios de bicicleta pelo campo que fiz do que da bicicleta de um qualquer ginásio com som techno.

E queria, acima de tudo, que os meus filhos também tivessem estas gratas recordações, porém não encontro a solução.

Resta-me a esperança que a alegria que transparecem seja sinónimo de felicidade, de sintonia com o seu tempo, com as suas vivências, com as quais eu não me identifico, mas que, apesar de tudo, compreendo.

Parabéns Benfica !



Nem sei como é que consegui escrever isto...
Mas também, coitadinhos, já há tantos anos que não festejavam...
Comigo é fair play acima de tudo, e como tal, espero que pelo menos daqui por mais dez anos possam festejar novamente... a taça, claro, porque o campeonato....

maio 14, 2004

Galeria de Maio

Decidi abrir uma galeria de arte aqui no meu cantinho (à direita, logo a seguir aos links). E como na net é tudo mais económico, posso-me dar ao luxo de ter presentes nesta galeria nomes acessíveis só aos grandes museus.

Decidi abrir esta galeria com um dos pintores que mais admiro: Vincent Van Gogh (1053-1890), o mestre da loucura, o mestre do impressionismo, incompreendido pelas correntes artísticas da época.

A sua carreira durou apenas dez anos, mas viveu todo este tempo como uma intensa aprendizagem, com uma urgência obessiva por passar etapas.

Conviveu com os maiores pintores da época como Émile Bernard, Toulouse-Lautrec, Pissaro, Signac e Gauguin e deixou-nos uma obra extensa marcada por diversas influências.

Após as suas primeiras vacilações como artista em Bruxelas, Haia e Drenthe, Vincent chega em 1884 a Nuenen, uma pequena localidade holandesa, onde adopta o modelo de Millet e Rembrandt, convertendo-se num pintor da vida rural.


Em 1886, decide mudar-se para Paris, apoiado pelo seu irmão Theo, e é aqui que tem contacto com os artistas impressionistas no estúdio de Fernand Cormon.


Em 1888, muda-se para Arlés, atraído pela luz plena e clara do sul da provença. Pouco a pouco a sua paleta de cores torna-se subjectiva e independente da cor local.


Este processo alcança a sua máxima expressão nalguns quadros de 1889, pintados durante o seu internamento psiquiátrico em Saint-Remy.


Os últimos três meses da vida de Van Gogh decorrem em Auvers-sur-Oise, uma pitoresca aldeia camponesa que Cézanne e Pissaro já tinham incluído no reportório dos impressionistas. A sua saúde já estava muito deteriorada e isso reflecte-se na sua pintura. O vigor do seu traço já não é o mesmo, porém continua na sua febril aprendizagem.
Essa sensação de impotência proporciona a muitas obras deste período uma tensão dramática e comovedora, como se inunciassem o desenlace da tragédia.

A excentricidade, os excessos de loucura, o comportamento turbulento e o temperamento pouco sociável, contribuiram para o génio de Van Gogh e contribuiram também para o seu final dramático. Vincent, em 27 de Julho de 1890, dispara um tiro no peito, no meio do campo e dois dias depois morreu.
Um pintor extraordinário, que marcou uma época e cujo génio só foi reconhecido depois da sua morte.