maio 11, 2004

Guerra Civil Portuguesa

Muitos de nós não sabem, mas estamos a viver uma guerra civil, em Portugal.
Existem duas frentes de combate. De um lado crescem os batalhões da falta de civismo, do outro os pseudo estrategas do Governo.
As medidas repressivas, que brevemente chegarão perto de si, não no seu quiosque, mas na sua conta bancária, foi a solução encontrada para o fim destes combates.

Num país com 2 milhões de portugueses a viver no limiar da pobreza, onde o rendimento médio de um português deve rondar os 500 euros, nós vamos ter multas com três zeros. Será este o melhor efeito dissuador?


Sempre fomos um país que resolve os problemas em cima do joelho. Faz parte da cultura latina, diremos. Planeamento!? Para quê? Educação?! Para quê?

E se em vez de multarmos as pessoas, as obrigássemos a repetir o código, lhes déssemos formação onde ela não existe? E se em vez de prendermos os trangressores do trânsito, os pusséssemos a fazer trabalho comunitário, a trabalhar em centros de recuperação, como o de Alcoitão?
Será que assim não tomariam uma consciência mais real do que pode causar a falta de civismo, a irresponsabilidade?

Seja como for a guerra continua:

"Sinistralidade Nos primeiros nove dias deste mês já se somaram 50 mortos e 172 feridos graves na sequência de acidentes de viação registados pela PSP e pela GNR. A maior parte das ocorrências verifica-se durante o fim-de-semana. Só no último domingo, a GNR contabilizou cinco acidentes brutais, que causaram a morte a 11 pessoas." In DN (11/05/04)

E, infelizmente, está aí para durar.
E não acredito que as novas multas alterem alguma coisa.
Quer dizer, alguma coisa hão-de alterar: os cofres do Estado e as contas dos portugueses!!



maio 05, 2004

"Porque o ensino politécnico português está morto e ainda não foi disso notificado..."

E esta, hein ?!

Cidade Maravilhosa

O Rio de Janeiro está em guerra.
Lula anunciou o envio de tropas para a cidade, com o objectivo de conseguirem acabar com a guerra instaurada entre as favelas Rocinha e Vidigal.

Nem tudo são novelas no Brasil. Aliás, a novela é apenas um sonho utópico que os brasileiros gostariam de viver.

O Brasil real é muito diferente daquele Brasil cosmopolita, moderno e avançado que os autores das ditas nos querem mostrar.

A miséria, a falta de tudo, é uma constante na vida da maioria dos brasileiros.
E as favelas são o exemplo crasso de que é mesmo assim.

Os nossos bairros de lata, comparados com a anarquia vivida nas favelas brasileiras, de milhares de habitantes, são condomínios fechados de regrado luxo.

Nunca estive no Rio de Janeiro, a não ser em trânsito, portanto não sai do aeroporto, mas já estive no Norte e no Sul do Brasil, e acho que consigo ter uma ideia de como vive aquele povo.
É, realmente, um país de extremos. Em que na mesma rua convive um Centro Comercial três vezes superior a um Colombo, com barracas sem condições onde vivem famílias numerosas. É um país de paradoxos.

É um país lindo, cheio de recursos, mal aproveitados.

Um país de, aproximadamente, 200 milhões de habitantes, que nós nos fartamos de gabar pela sua beleza natural, e que não consegue ter mais de 5 milhões de turistas estrangeiros, quando nós, um país de 10 milhões, conseguimos ter 12 milhões de visitantes.
Parece mentira, não é?

Ao acompanhar estas notícias, da guerra entre traficantes, das favelas Rocinha e Vidigal, não posso deixar de pensar no filme de Fernando Meirelles, Cidade de Deus, que vi há pouco tempo. Fiquei impressionada com a violência, com a realidade nua e crua do filme. Aquele sim, é o Brasil dos brasileiros. Não de todos, felizmente. Mas de uma parte deles.

A droga, as armas, a violência, a miséria, convivem com a solidariedade, a amizade e a honestidade do povo brasileiro.

Quando vimos filmes assim, que são autênticos documentários, pensamos:
mas, quem é que alguma vez conseguirá por cobro a isto? Quando é que, alguma vez, alguém conseguirá endireitar a vida dos brasileiros?
O Lula? Coitado! Nem ele, nem dez iguais a ele!

Biba o Puerto, Carago!!

Pois, temos que dar a mão à palmatória. Os tipos são mesmo os maiores.

Injustiça!

"A revista «Caras» e a SIC anunciaram ontem os nomeados para os Globos de Ouro - 2003. José Alberto de Carvalho, Judite de Sousa, Rodrigo Guedes deCarvalho e José Rodrigues dos Santos concorrem ao troféu do melhor apresentador, em representação da SIC e da RTP." in DN

Então e a Manela, coitadinha?? Ela, a única apresentadora-jornalista-pivot-chica-esperta que nós conhecemos? Ela que consegue fazer as perguntas, responder e ainda comentar e dar opinião, não é nomeada?? Ela que manda calar os seus entrevistados? Ela, considerada por muitos como a musa das notícias? Ela, que outros tentam já imitar.

É uma injustiça. Para ela e para a TVI, que consegue ter o único jornal, onde notícias como: "jovem bombeiro apanhado em flagrante com a namorada em actos menos próprios, no quartel, está em perigo de ser expulso da corporação", são cabeça de cartaz.

É por estas e por outras, que este país não anda!!

maio 04, 2004

Deportivo versus Porto

«Há alguns malucos como eu que dizem sempre que vão ganhar. Os outros reservam-se no tradicionalismo». in Mourinho

Não será esta a melhor técnica? Bom, pelo menos tem dado resultados positivos. A arrogância e a auto-confiança é tal, que deita abaixo qualquer um.

De qualquer forma, e depois de arrumada dentro do saco a asca, a antipatia, o enjoo e a aversão que tenho por tal senhor, vou regular a minha TV para o preto e branco e torcer pela equipa portuguesa (da qual não me atrevo a escrever o nome). E apenas porque, de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento.

maio 03, 2004

Sniff

Em relação ao post anterior:

Por acaso ontem até vi televisão, mas melhor não tivesse visto...
Ai, o meu Sporting...

Descanso semanal

De há uns tempos para cá, especialmente desde que o Sol começou a brindar-nos com o seu calor, faço um blackout à televisão, ao fim-de-semana.
Sou só eu, a natureza e o meu jardim (ordenados aleatoriamente).
Maravilha!
É que de repente, por dois dias apenas, parece que o mundo é perfeito. Não há guerra, terrorismo, corrupção, trafulhice, aldrabice, intrujice e outras coisas acabadas em ice que entrem no meu jardim, que invadam as minhas flores, que contaminem as minhas árvores.
É que parece que não, mas as impurezas desgastam, e o facto de não as sentirmos durante uns dias, dá-nos um outro ânimo para recomeçar a semana!

abril 28, 2004

Areia para os olhos

Vou assistindo, mais ou menos passivamente, ao que se vai passando neste país. Na maioria das vezes com tristeza.
A novela do Túnel do Marquês, que para mim, moradora no interior do país, nem em aquece nem arrefece, tem que se lhe diga.
Eles avançam, eles recuam, eles acusam uns, eles acusam outros. E este "eles" é completamente anónimo e refere-se aos diversos actores da novela.
Porém existem coisas que me chocam e uma delas foi uma notícia que ouvi hoje à hora de almoço.

Pedro Santana Lopes enviou um comunicado para a imprensa onde dizia que pedia, encarecidamente, às pessoas pró túnel, que tinham preparado uma manifestação de apoio junto ao munícipio, que não o fizessem. Que agradecia e louvava o acto, mas que tal não seria apropriado, tendo em conta os últimos acontecimentos.

Isto confirma-se, ou é apenas uma óptima estratégia de marketing?
É que nas notícias que tenho vindo a ler, ainda não li nenhuma que focasse a constituição de um grupo de simpatizantes do Túnel do Marquês.
Provavelmente existirá, tal como outros grupos, tipo os amigos dos porquinhos-da-índia, mas até agora, até este comunicado do Presidente (ainda só da Câmara) Santana Lopes não tinha ouvido falar dele.

Peço, encarecidamente, ao porta voz de tal grupo que se manifeste de forma a comprovarem-se as palavras tão estratégicamente bem colocadas de Pedro Santana Lopes

O Mundo está mais pequeno

Foi com imensa tristeza que soube, do fim (espero, provisório) de mais um destino turístico. A Tailândia está em guerra.
Não, não sou hipócrita, também penso nas pessoas que lá estão, que lá vivem e que têm de conviver com o conflito.
Mas, visto daqui, deste lado da trincheira, tenho sobretudo pena de já não poder visitar a Tailândia em segurança.

Segundo o jornal Le Monde:

"Les provinces du Sud, zone économiquement déshéritée où la population est de confession musulmane à environ 90 %, connaissent depuis janvier des violences quasi quotidiennes que le gouvernement a successivement attribuées à des gangsters, des mouvements séparatistes ou des radicaux islamistes liés à des réseaux internationaux. Les membres des forces de l'ordre en ont été les premières victimes, mais des chefs de village, des moines bouddhistes et des civils ont également été abattus ou égorgés, tandis que les touristes étaient aussi visés. Des dizaines d'incendies criminels ont aussi réduit en cendres des bâtiments publics et des écoles."


Bali já era, Nova Iorque é o que sabemos, Madrid para lá caminha, a Turquia nem comentamos, o Sri Lanka começa agora a despertar para o Mundo, em relação ao Egipto começamos a acreditar, e estes são apenas ténues exemplos do que se passa no mundo.

Está a ficar mais pequeno.

O Turismo, considerado por muitos como a economia da paz, vê o seu território limitado.
Não se pode garantir segurança a quem quer visitar zonas de conflito e como tal, a maioria das pessoas conscientes, escolhe outros destinos.

Já não podemos comprar todos os sonhos.
Quer visitar a ilha de Phi-Phi? Talvez daqui a 10 anos quando finalmente se resolverem os conflitos que assolam agora a Tailândia. Por enquanto este destino não faz parte do mundo turístico.

Temos um mundo com manchas baças, que não deixam transparecer o nome das terras que por baixo delas sofrem.

É claro que isto não é obrigatório, quem quiser pode viajar para esses locais, ninguém os proíbe. Aliás existe mesmo um tipo de turismo especializado em teatros de guerra. Verdade!

Mas creio que longe de querer visitar um local, em troca, possivelmente, de uma vida, a maioria das pessoas quererá "dar a vida" para conhecer vários locais.

O mundo está mais pequeno, mas o turismo poderá ajudá-lo a alargar-se, porque, nada melhor para compreender uma civilização do que ter contacto com ela.

A compreensão, muitas das vezes, é a chave para o sucesso, é a estrada para o fim do conflito.